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Comex Tech 2026: protagonismo feminino e disputa por Santos

Comex Tech Forum 2026 reuniu milhares de profissionais em SP, destacou a atuação da CEO Diana Santana e levou para o centro da pauta IA, Porto de Santos e custo logístico.

Comex Tech 2026: protagonismo feminino e disputa por Santos

Em 2 de setembro de 2026, o Comex Tech Forum chegou à sua 4ª edição no Transamérica Expo Center, em São Paulo, reunindo milhares de profissionais de comércio exterior, logística e tecnologia em um único dia de debates intensos sobre IA, supply chain e gestão de risco, segundo dados oficiais do evento[1] e cobertura da imprensa[3].

Entre os participantes, a presença da CEO Diana Santana, da SEA-AIR Cargo, ganhou destaque na mídia especializada, que registrou sua participação como reforço ao protagonismo feminino no setor e a atuação da SEA-AIR como patrocinadora do fórum[2]. Para quem importa e exporta, o recado prático do evento passa menos por anúncio de novas regras e mais por três eixos: adoção de IA nas operações, disputa por capacidade no Porto de Santos e fortalecimento de redes de decisão – onde liderança feminina entra com peso real na mesa.

O que foi o Comex Tech Forum 2026 e onde entra a CEO Diana Santana

O Comex Tech Forum 2026 foi realizado em 2 de setembro de 2026, no Transamérica Expo Center, em São Paulo, na 4ª edição do encontro promovido pela Logcomex[1]. Segundo o material oficial do evento, foram cerca de 3.500 visitantes, representando 2.300 empresas, com métrica declarada de R$ 1,9 milhão em negócios gerados na feira, mais de 1,3 mil leads qualificados por expositor e presença de empresas que, somadas, movimentam cerca de US$ 9 bilhões por ano[1].

A CNN Brasil relatou “cerca de 4 mil participantes e mais de 30 palestrantes” na edição de 2026, destacando que o fórum discutiu inteligência artificial, logística, geopolítica, gestão de riscos, exportação, finanças e liderança[3]. A diferença entre 3.500 e ~4.000 participantes vem de fontes distintas (site oficial e imprensa), mas ambas apontam para um evento de grande porte, com dezenas de expositores e palestrantes.

No campo da liderança setorial, a matéria do portal EgoBrazil registrou que “a empresária Diana Santana, CEO da SEA-AIR Cargo, participou, na última quarta-feira (2), do Comex Tech fórum 2026”, em conteúdo publicado em 3 de setembro de 2026[2]. A mesma matéria lembra que a SEA-AIR foi patrocinadora do evento, e publicação da própria empresa no LinkedIn citou encontro da CEO com Helmuth H., CEO da Logcomex[2].

Segundo a cobertura da CNN Brasil, o fórum levou para o palco temas diretamente conectados ao dia a dia de quem importa e exporta: uso de IA para previsibilidade de rotas e custos, impactos de crises geopolíticas sobre fretes e seguros, além de liderança e cultura de dados nas áreas de supply chain e comércio exterior[3]. O Porto de Santos e o megaleilão do Tecon Santos 10 também entraram na pauta, com menções à decisão da Superintendência-Geral do CADE, em agosto de 2026, aprovando sem restrições uma operação societária entre Maersk e MSC no terminal BTP, abrindo caminho para participação conjunta no leilão do Tecon Santos 10[4].

Impacto prático: o que muda (e o que não muda) na operação

Do ponto de vista de quem está responsável por importação, exportação, compras ou distribuição, os efeitos do Comex Tech Forum 2026 vêm em três camadas: tecnologia (IA e dados), infraestrutura (Porto de Santos) e relações comerciais (networking e liderança).

1. Tecnologia e IA: previsibilidade, não nova regra

A cobertura da CNN Brasil mostra que a pauta central de tecnologia foi o uso de IA para lidar com incertezas: cenários de frete afetados por conflitos no Oriente Médio, mudanças tarifárias e choques de oferta[3]. O foco está em previsibilidade de rotas, custos e riscos, com soluções de visibilidade, automação documental e monitoramento em tempo quase real.

Na prática, isso afeta:

  • Cálculo de custo total: uso de ferramentas que cruzam histórico de fretes, congestionamentos, desvio de rotas e tempo de trânsito ajuda a simular cenários de custo logístico, mas não muda as bases contratuais com armadores e agentes. As cotações seguem sendo de mercado, caso a caso.
  • Gestão de lead time: IA e dados podem melhorar a qualidade da previsão de chegada, mas não alteram o tempo físico de travessia ou atracação da noite para o dia. É recurso de planejamento, não de “teletransporte” de carga.
  • Backoffice de Comex: soluções de automação podem reduzir retrabalho em documentos, mas nenhum ato oficial identificável nas fontes indica mudança de exigência legal ou de documento obrigatório decorrente do fórum.

Importante: nas fontes pesquisadas não há qualquer comunicado de Receita Federal, MDIC ou outro órgão regulador anunciando mudança imediata em processos de desembaraço, licenciamento ou tipos de documento por conta do Comex Tech Forum 2026. Ou seja, a rotina aduaneira formal segue a mesma; o que muda é a pressão por digitalização e uso mais intenso de dados.

2. Porto de Santos e Tecon Santos 10: capacidade futura, não alívio imediato

O debate sobre o Porto de Santos girou em torno do megaleilão do Tecon Santos 10 e da reorganização societária envolvendo Maersk e MSC na BTP. Em agosto de 2026, a Superintendência-Geral do CADE aprovou, sem restrições, uma operação que ajusta o controle conjunto da BTP e viabiliza a participação das duas gigantes na disputa pelo Tecon Santos 10[4].

Para importadores e exportadores, as implicações práticas são:

  • Curto prazo: não há nas fontes dados de redução imediata de fila, tempo de atracação ou tarifa portuária ligados diretamente à decisão do CADE ou às discussões do fórum. A operação portuária de hoje continua sob as mesmas estruturas físicas e contratos em vigor.
  • Médio e longo prazo: se o Tecon Santos 10 for leiloado e efetivamente desenvolvido, a tendência é aumento da capacidade de movimentação de contêineres em Santos, o maior porto da América Latina. Isso pode, ao longo dos anos, aliviar gargalos, encurtar janelas de espera e influenciar a dinâmica de preços de terminais e serviços – mas dependerá do resultado do leilão, investimentos concretos e política de expansão do porto[4].

Para o planejamento de hoje, isso significa monitorar o calendário de leilão e futuros anúncios de obras, mas não contar com “milagre de capacidade” em 2026.

3. Fretes, custos e contratos: cenário volátil continua

A CNN relata que as crises geopolíticas recentes pressionam os preços de frete marítimo, mas o fórum não produziu nenhuma tabela oficial ou novo regime de frete[3]. Os preços seguem sendo definidos por armadores, mercado spot e contratos de longo prazo, sensíveis a fatores como conflito regional, custo de bunker, capacidade de navios e equilíbrio oferta x demanda.

Isso implica:

  • Zero mudança automática de preço via evento: nenhuma fonte indica que o Comex Tech Forum redefiniu bases de cobrança de frete ou criou nova regra tarifária para o setor.
  • Maior pressão por análise de cenário: IA e plataformas de dados ganham espaço para simular rotas alternativas, comparar portos de saída/chegada e apoiar decisões de contratos anuais ou semestrais, inclusive na estratégia de diversificar rotas e terminais.

4. Processos aduaneiros e documentos: status quo regulatório

Nas fontes analisadas, não aparecem atos normativos, instruções da Receita Federal ou comunicados de governo alterando documentação, parametrização ou fluxo de desembaraço em função do Comex Tech Forum 2026. O fórum é um espaço de debate, networking e exposição de tecnologia, não uma instância regulatória.

Na rotina de operação, isso significa:

  • mesmos documentos de sempre (DI/DUIMP, DU-E, licenças, certificados) segundo legislação vigente;
  • mesmas responsabilidades de compliance, com ou sem uso de IA;
  • o ganho vem de eficiência de processo interno, não de alívio regulatório.

A leitura da TMLOG

1. Interesse por trás do evento e da pauta de liderança

Do lado dos organizadores e expositores, o interesse é claro e legítimo: aproximar tomadores de decisão de soluções de tecnologia e serviços de logística, num ambiente em que os números oficiais de 3.500 visitantes, 2.300 empresas e R$ 1,9 milhão em negócios gerados[1] reforçam o papel do fórum como vitrine comercial.

No caso da participação da CEO Diana Santana, o movimento é duplo: reforçar a imagem da SEA-AIR como player relevante e, ao mesmo tempo, colocar o protagonismo feminino no centro da pauta de liderança do comércio exterior, em linha com o contexto de discussões sobre gestão e tomada de decisão no setor[2]. Em um ambiente historicamente dominado por executivos homens, a presença de uma CEO de logística patrocinando e ocupando espaço em um fórum desse porte tem efeito simbólico e prático: influencia quem fala, quem é ouvido e quem define prioridades de investimento em tecnologia e infraestrutura.

2. O que é exagero e o que é concreto

Há tendência, em parte da imprensa e da comunicação corporativa, de vender IA como solução instantânea para caos logístico e volatilidade de fretes. As fontes consultadas não mostram nenhum dado que comprove queda direta de custo ou prazo por conta de IA apresentada no fórum. O que há são ferramentas que melhoram previsibilidade e suporte a decisão[3]. Isso é relevante, mas não substitui negociação de frete, gestão de risco contratual e diversificação de rotas.

Sobre o Porto de Santos, manchetes que associam a decisão do CADE a uma “revolução iminente” na capacidade do porto também simplificam demais o quadro. A aprovação da operação Maersk–MSC na BTP abre espaço para disputa do Tecon Santos 10[4], mas não há obra entregue, nem terminal operando, nem tabela nova de tarifa por enquanto. A mudança é estrutural e de médio prazo.

3. O que realmente muda para o cliente

O que já está na mesa para quem importa e exporta:

  • Pressão para profissionalizar o uso de dados: reuniões e painéis como os do Comex Tech 2026 mostram que a base competitiva está migrando de “sentir o mercado” para operar com previsões, cenários e indicadores digitais. Quem continuar em planilha estático perde tempo de reação.
  • Maior relevância de redes de decisão: eventos que reúnem milhares de profissionais e players que movimentam US$ 9 bilhões por ano[1] formam ambientes onde fornecedores, terminais, armadores e grandes embarcadores alinham expectativas. Não participar não muda a regra, mas reduz capacidade de influenciar contratos e buscar alternativas.
  • Liderança com diversidade: a visibilidade de CEO como Diana Santana em um fórum de tecnologia e logística aponta para um setor em que diversidade de liderança passa a ser ativo real – inclusive para enfrentar crises, repensar rotas e negociar com parceiros globais[2].

4. O que fazer nas próximas semanas

  • Mapear onde IA faz sentido na sua operação: começar por previsibilidade de lead time, acompanhamento de embarques e simulação de cenários de frete, sempre confrontando as projeções com dados reais, sem cair na armadilha de “caixa-preta infalível”.
  • Rever estratégia de Santos: acompanhar, com lupa, notícias sobre o leilão do Tecon Santos 10 e movimentos de terminais e armadores ligados a Maersk e MSC. Ajustar contratos e planos de rota considerando possíveis mudanças de capacidade nos próximos anos.
  • Fortalecer governança de Comex: trazer compras, logística, fiscal e financeiro para a mesma mesa, usando dados consolidados para negociar frete e contratos de longo prazo, em vez de decisões isoladas em cada área.
  • Incentivar protagonismo interno: abrir espaço para lideranças diversas – inclusive mulheres em posições de decisão – não como discurso, mas com mandato real sobre orçamento, escolha de parceiros logísticos e adoção de tecnologia.

Alerta prático: um erro comum é assumir que, porque um fornecedor apresentou sua solução em um grande fórum de Comex, ela já está “validadamente” integrada a Receita, portos e armadores. As fontes do Comex Tech 2026 não mostram nenhum selo regulatório automático nem homologação oficial de sistemas pelo governo. Antes de vincular sua operação crítica a qualquer plataforma, valide:

  • conexões efetivas com portos, terminais, armadores e bancos que você usa;
  • conformidade com exigências da Receita Federal e órgãos anuentes, com base nas normas vigentes;
  • modelo de contingência caso o sistema falhe em momento de embarque, licenciamento ou fechamento cambial.

Evento forte não é sinônimo de integração garantida: teste, compare e negocie.

Fontes

Talita Melo
Talita MeloEspecialista em comércio exterior

Especialista em comércio exterior e logística internacional, com atuação em importação, exportação, desembaraço aduaneiro e desenvolvimento de negócios internacionais na TMLOG Global Trade & Logistics.

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