FecomercioSP amplia capacitação em comércio exterior para PMEs
FecomercioSP articula sindicatos, governo e entidades como ApexBrasil e Sebrae para ampliar a internacionalização de PMEs. Veja o que isso muda na prática para sua operação.

Em 29 de setembro de 2026, a FecomercioSP anunciou que vai ampliar a capacitação de pequenas e médias empresas em comércio exterior em parceria com os sindicatos empresariais, com foco em quem quer começar ou ampliar importações e exportações (FecomercioSP). A agenda já tem data-chave: 2 de outubro de 2026, quando está previsto um encontro com ApexBrasil, Sebrae e Receita Federal para discutir cenário internacional e instrumentos de apoio à internacionalização (FecomercioSP).
Na prática, isso chega direto na rotina de quem importa, exporta ou distribui no Brasil: sindicatos que antes atuavam só em pauta trabalhista e setorial tendem a oferecer mais cursos, orientação e conexões com órgãos de governo ligados ao comércio exterior. Ao mesmo tempo, a própria FecomercioSP coloca na mesa a mudança tributária prevista a partir de 2027, com substituição de PIS e Cofins pela CBS, o que impacta receitas de serviços como cursos, intermediação de negócios e locações (FecomercioSP). Quem opera comércio exterior precisa entender como esse novo ecossistema de apoio e tributação vai mexer em custo, prazo e estrutura de decisão.
O que a FecomercioSP está montando: contexto e dados
A proposta de ampliar a capacitação em comércio exterior foi apresentada por Rubens Medrano, presidente do Conselho de Relações Internacionais da FecomercioSP, em reunião do Conselho do Comércio Atacadista (FecomercioSP). Ou seja, não é uma ação isolada de um departamento, mas um movimento que envolve a cúpula que olha relações internacionais e um setor chave para distribuição: o atacado.
Para desenhar essa expansão, a FecomercioSP informou que realizou um levantamento que recebeu respostas de 50 entidades. Esse mapeamento servirá para identificar quais sindicatos já têm iniciativas em comércio exterior e quais pretendem avançar nessa agenda (FecomercioSP). Em paralelo, em outra frente com o governo estadual, a FecomercioSP afirma reunir 134 sindicatos empresariais que representam cerca de 1,8 milhão de empresas no Estado de São Paulo, sendo mais de 90% delas de pequeno porte (FecomercioSP). Isso dimensiona o alcance potencial dessa agenda.
Um dos próximos passos já está datado: em 2 de outubro de 2026 haverá um encontro com representantes da ApexBrasil, Sebrae e Receita Federal, entre outros, para discutir o cenário internacional e instrumentos de apoio à internacionalização das empresas (FecomercioSP). Para quem está na operação, isso significa um canal coordenado para tirar dúvidas diretamente com os órgãos que regulam, financiam e promovem exportação e importação.
No mesmo contexto, a FecomercioSP chama atenção para impactos da Reforma Tributária. A entidade aponta que, a partir de 2027, PIS e Cofins serão extintos e substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o que exige atenção às diferentes fontes de receita dos sindicatos (FecomercioSP). Segundo a publicação, são citadas hipóteses de não incidência para contribuição associativa estatutária, rendimentos de aplicações financeiras, doações sem contraprestação e determinadas transferências públicas. Já receitas de locação de imóveis e espaços teriam redução de 70% da alíquota, enquanto receitas por intermediação de negócios e cursos/treinamentos “podem ter tributação integral” (FecomercioSP).
O encontro também apresentou estudo sobre o comércio atacadista paulista. Em junho de 2026, o setor registrou 632.386 trabalhadores com carteira assinada, o maior contingente desde 2020, com destaque para crescimento anual em atividades como papel, resíduos e sucatas (+2,6% vs junho de 2025) e produtos e equipamentos médico-hospitalares e odontológicos (+1,9% vs junho de 2025) (FecomercioSP). Esse é o pano de fundo produtivo e logístico em que a internacionalização das PMEs está sendo discutida.
Em artigo relacionado, a FecomercioSP e o Governo do Estado de São Paulo iniciaram conversas para uma parceria voltada a ampliar o acesso de micro, pequenas e médias empresas ao comércio exterior, reforçando que a base da Federação é majoritariamente composta por pequenos negócios (FecomercioSP). O desenho que emerge é de um arranjo em que sindicatos, governo estadual, ApexBrasil, Sebrae e Receita Federal passam a operar de forma mais coordenada.
Impacto prático na operação: custo, prazo, documentos e contratos
Do ponto de vista de quem importa, exporta ou distribui, o movimento da FecomercioSP traz implicações concretas em quatro frentes: acesso à informação oficial, custo de serviços de apoio, planejamento tributário e organização interna.
Acesso mais direto a órgãos-chave
O encontro de 2 de outubro de 2026 com ApexBrasil, Sebrae e Receita Federal (FecomercioSP) cria uma janela para:
- entender linhas e programas da ApexBrasil voltados à promoção de exportações da sua faixa de faturamento;
- mapear programas do Sebrae que podem reduzir custo de capacitação, consultoria ou elaboração de plano de internacionalização;
- ajustar procedimentos aduaneiros diretamente com a Receita Federal, reduzindo retrabalho em classificação fiscal, regimes especiais e documentação.
A publicação não detalha formatos de atendimento (plantões, agendas individuais, convênios formais) nem prazos de implementação além da data do encontro. Para o importador/exportador, o passo imediato é monitorar a agenda do próprio sindicato e identificar quais eventos terão presença desses órgãos.
Custo e modelo dos cursos e serviços sindicais
A FecomercioSP aponta que, com a CBS a partir de 2027, receitas de cursos, treinamentos e intermediação de negócios “podem ter tributação integral”, enquanto locações de imóveis e espaços teriam redução de 70% na alíquota (FecomercioSP). Isso significa que, na revisão de tabela de preços, sindicatos tendem a:
- recalibrar valores de cursos e treinamentos em comércio exterior, repassando ou não o custo tributário dependendo da estratégia de cada entidade;
- usar mais forte a locação de espaços como fonte de receita, aproveitando a redução de alíquota, o que pode influenciar o formato dos eventos (feiras, rodadas, workshops em auditórios próprios);
- estruturar modelos híbridos de serviço (parte como benefício estatutário, parte como curso pago) para otimizar a carga tributária.
Neste momento, a FecomercioSP não divulga valores, alíquotas consolidadas da CBS, nem simulações de custo final por curso. O efeito prático para sua empresa deve aparecer em reajustes de mensalidades, taxas de participação em eventos e valores de capacitações a partir da virada para o novo modelo tributário.
Planejamento tributário e contratos de médio prazo
Como a substituição de PIS/Cofins pela CBS está indicada “a partir de 2027” na comunicação da Federação (FecomercioSP), contratos de capacitação e parcerias com sindicatos que se estendam além de 2026 precisam considerar:
- cláusulas de reajuste por mudança tributária, evitando surpresa de custo em treinamentos continuados em comércio exterior para o time;
- avaliação de que tipo de serviço é mais crítico para a operação (curso técnico de DUIMP, regimes aduaneiros, classificação, gestão de risco logístico etc.) e qual pode ser postergado ou substituído por outras fontes (Sebrae, ApexBrasil, consultorias privadas);
- alinhamento entre a área fiscal e o time de comércio exterior para estimar o impacto da CBS nos serviços contratados de sindicatos e entidades parceiras.
A FecomercioSP não traz a redação legal final da CBS, alíquotas específicas ou instruções normativas da Receita Federal. Isso limita a precisão de qualquer cálculo hoje, mas o calendário sinalizado obriga a colocar 2027 como marco em simulações de custo.
Organização interna para aproveitar a capacitação
Com uma base potencial de cerca de 1,8 milhão de empresas representadas por 134 sindicatos em São Paulo, sendo mais de 90% pequenas (FecomercioSP), a oferta de capacitação tende a ser padronizada para o “mínimo comum denominador”. Para uma empresa que já opera importação ou exportação com certa maturidade, isso exige:
- selecionar quais cursos de sindicato fazem sentido (por exemplo, temas de funding, promoção comercial, uso de programas de governo) e quais são básicos demais;
- usar eventos com ApexBrasil, Sebrae e governo estadual para construir agenda específica (projetos de feiras internacionais, missões comerciais, inserção em canais de distribuição externos);
- combinar essa oferta com treinamentos mais avançados de parceiros privados, despachantes aduaneiros e freight forwarders para temas de operação fina: rotas, seguros, contratos de frete, gestão de risco.
A própria matéria menciona, sem números, que “acontecimentos externos podem elevar os custos dos fretes” (FecomercioSP). Como não há dados de US$/TEU ou índices, essa discussão tende a entrar nos cursos de forma qualitativa. A área de suprimentos e logística da sua empresa precisa trazer a visão concreta de custos de frete para dentro desses debates.
A leitura da TMLOG
Nos fatos: a FecomercioSP está organizando uma rede de capacitação em comércio exterior via sindicatos, apoiada por um mapeamento com 50 entidades, negociações com o governo de São Paulo e um encontro já marcado para 2 de outubro de 2026 com ApexBrasil, Sebrae e Receita Federal (FecomercioSP) (FecomercioSP). Em paralelo, a entidade antecipa os efeitos da CBS nas receitas de serviços oferecidos pelos próprios sindicatos, como cursos e intermediação de negócios.
Nos interesses: há um alinhamento claro entre:
- sindicatos que precisam diversificar receitas em um ambiente de reforma tributária e possível incidência maior sobre cursos e serviços;
- governo estadual, ApexBrasil e Sebrae, que têm meta de ampliar o número de PMEs exportadoras e enxergam os sindicatos como canal de massa;
- empresas que precisam reduzir assimetria de informação em temas regulatórios, tributários e de acesso a mercados.
A ampliação da capacitação serve, ao mesmo tempo, para fortalecer a relevância dos sindicatos junto às bases e para cumprir metas de políticas públicas de internacionalização.
O que a imprensa tende a exagerar: há, em geral, um tom de que “capacitação resolve a internacionalização”. Os dados apresentados mostram capilaridade (1,8 milhão de empresas, mais de 90% pequenas) mas não há números de metas de novas exportadoras, volumes ou prazos concretos de resultado (FecomercioSP). Sem isso, o risco é superestimar o impacto imediato na balança comercial ou na competitividade.
O que realmente muda para sua empresa nos próximos meses:
- mais oferta de cursos e eventos sobre comércio exterior dentro ou via seu sindicato;
- maior proximidade com ApexBrasil, Sebrae, governo estadual e Receita Federal em agendas coletivas;
- discussão antecipada sobre CBS e seus efeitos em serviços, com impacto provável em custos de capacitação a partir de 2027.
O que fazer nas próximas semanas, de forma prática:
- confirmar junto ao seu sindicato se haverá participação na agenda de 2/10/2026 e quais eventos ligados a comércio exterior já estão programados;
- mapear internamente quais áreas precisam de capacitação urgente: classificação fiscal, regimes especiais, contratos de frete, seguro internacional, formação de preço de exportação;
- priorizar participação justamente nos eventos em que estejam presentes Receita Federal, ApexBrasil ou Sebrae, para tirar dúvidas estruturais (cadastros, habilitação, programas de apoio);
- iniciar conversa entre área fiscal e comércio exterior para acompanhar a regulamentação da CBS e revisar contratos com sindicatos e provedores de serviço que avancem sobre 2027.
Capacitação de PMEs é peça importante, mas não resolve sozinha gargalos de frete, infraestrutura, câmbio e risco de crédito. A vantagem está em usar essa rede para destravar burocracia, entender melhor os instrumentos públicos disponíveis e, a partir daí, estruturar uma operação de comércio exterior com planejamento logístico e fiscal sólido.
Alerta prático: muitas empresas tratam cursos de comércio exterior em sindicatos como “evento de RH”, sem envolvimento da área fiscal, logística ou suprimentos. Com a mudança para CBS a partir de 2027 e a possibilidade de tributação integral sobre cursos e intermediação de negócios citada pela FecomercioSP (FecomercioSP), deixar essas áreas de fora pode significar contratar capacitações desconectadas da realidade de carga, rota, contrato e custo efetivo da operação. Antes de inscrever o time, alinhe objetivos concretos com quem responde por importação, exportação e tributos.



