Reforma tributária: como IBS e CBS mudam o custo da importação a partir de 2026
2026 é o ano de teste do IBS e da CBS. Explicamos o que muda na base de cálculo da importação, o fim gradual do PIS/Cofins-Importação e como se preparar sem sustos no fluxo de caixa.

A reforma tributária do consumo saiu do papel. Em 2026 começa a fase de teste, com alíquotas simbólicas de CBS (0,9%) e IBS (0,1%), que convivem com os tributos atuais. Parece pouco, e é. Mas o que está em jogo não é o valor de 2026, e sim a forma como a sua empresa vai estruturar compras, estoques e créditos para a transição que vai até 2033.
O que muda na importação
Hoje, uma importação carrega II, IPI, PIS-Importação, Cofins-Importação e ICMS, com bases de cálculo diferentes e créditos que dependem do regime da empresa. No modelo novo, a CBS substitui PIS e Cofins, e o IBS substitui ICMS e ISS, ambos com não cumulatividade plena e cobrança no destino.
- Base de cálculo mais limpa: o cálculo "por dentro", que inflava a base do ICMS, deixa de existir no IBS/CBS.
- Crédito financeiro amplo: tudo o que a empresa compra para a atividade gera crédito, inclusive serviços logísticos, o que reduz o custo do frete internacional e do despacho na cadeia.
- Fim da guerra fiscal: benefícios estaduais de ICMS na importação (os famosos regimes de portos) perdem força gradualmente, e isso muda a conta de por onde importar.
Nossa opinião: o "porto barato" está com os dias contados
Muitas empresas escolhem o porto de entrada pelo benefício fiscal, não pela logística. Com a redução progressiva desses incentivos, a decisão volta a ser técnica: proximidade do centro de distribuição, frequência de navios, custo de armazenagem e tempo de liberação. Quem começar a redesenhar a malha agora, com dados, evita uma migração forçada e cara em 2029.
Atenção ao fluxo de caixa. Durante a transição, haverá anos em que os dois sistemas convivem. Simule o desembolso mês a mês, e não só a alíquota final: o timing do crédito pode apertar o capital de giro de quem importa em grande volume.
Checklist para 2026
- Ajustar o ERP e o cadastro de NCMs para as novas obrigações acessórias.
- Revisar contratos com fornecedores e transportadores para garantir o destaque correto dos tributos e o aproveitamento de crédito.
- Reavaliar regimes especiais (Drawback, RECOF, entrepostos) à luz das regras de transição.
- Recalcular o custo desembarcado por produto e por porto de entrada.
A reforma é uma oportunidade para quem trata tributo como variável de planejamento, e não como surpresa no desembaraço. A TMLOG acompanha a regulamentação do Comitê Gestor do IBS e traduz cada mudança para a operação do cliente.



